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quarta-feira, 20 de julho de 2016

Samba Toca da Onça anima festa de aniversário de morador da comunidade de São Mateus, em SP


Bárbara Forte
Do BOL, em São Paulo

13/06/201607h59



Imagine festejar o aniversário com uma roda de samba tocando ao vivo, no meio da sua casa? O Samba Toca da Onça, quinta roda visitada pelo BOL no ano em que é comemorado o Centenário do Samba, resolveu adaptar a reunião do grupo para, além de tocar na Praça Ribeirão do Carmo, no Jardim Vera Cruz, homenagear os moradores de São Mateus, na zona leste de São Paulo. O grupo 'invade' a festa do aniversariante – sempre um membro da comunidade que é assíduo nos encontros da roda – com sucessos imortalizados na voz de sambistas consagrados e muita animação.

O cobrador de ônibus Celso Teixeira Cintra, que estava comemorando seus 47 anos – os mesmos como morador de São Mateus – recebe os convidados com o portão de casa aberto, sem restrições. Amigos, familiares e novos visitantes podem chegar e participar, gratuitamente, da comunhão. "Esta já é a terceira vez que eles comemoram comigo. Aqui não tem essa, é só entrar e se divertir", afirma Celso, que já oferece uma cerveja e um refrigerante logo na entrada.

O Samba Toca da Onça acontece de 15 em 15 dias, aos sábados, às 18h. No aniversário de Celso, um incentivador do samba de raiz tocado pelos 12 membros do grupo, o horário mudou um pouquinho. Mas festa nunca começa na hora marcada, não é mesmo?! "Teve gente que chegou mais cedo, outros passam aqui bem mais tarde. Nossa festa não tem hora para acabar", diz o cobrador de ônibus.

O vigilante Naldo Candiá, de 40 anos, é um dos fundadores e idealizadores do projeto, que teve início em 2010. Segundo ele, "o 'Toca da Onça' foi uma homenagem a um bar onde ele e os irmãos tocavam, ainda jovens, nos anos 1980, e que tinha esse nome."

"A proprietária do bar, Dona Irene, tinha a fama de ser brava, não aceitava fiado e só dava a cerveja depois que o cliente pagava. Com isso, o marido dela resolveu apelidá-la de Dona Onça, e o nome pegou. Como o ambiente do bar era pequeno, ficou 'Toca da Onça'", explica Naldo.

Hospitalidade e alegria

Aparecido Teixeira Cintra, Seu Paraná, como é conhecido, de  72 anos, é o anfitrião da festa, além de pai do aniversariante. Aposentado, ele se apresenta para os convidados e logo começa uma longa prosa.
Evelson de Freitas/BOL

Seu Paraná, aos 72 anos, se diverte na festa do filho, ao lado da esposa
"Um dia eu cheguei para minha 'velha', disse que estava cansado do aluguel, peguei minhas poucas coisas e acabei aqui, no Jardim Vera Cruz. Com a gente veio mais um monte de parente. Erguemos nossa casa há quase 50 anos, era só um brejo e muito mato em volta", conta o morador.

De acordo com ele, no início não foi fácil, mas conseguiu criar os quatro filhos, os netos – que seu Paraná já até perdeu a conta – e os seis bisnetos. A roda, que hoje toma conta da música na casa antiga do aposentado, começou na porta dele. "Na época eu nem gostava de samba. Os meninos do Toca da Onça e meus filhos que me fizeram mudar de opinião", revela à reportagem do BOL.

Do portão da casa do Seu Paraná, o Samba Toca da Onça seguiu para um bar que ficava em frente a um campinho de futebol, também na região. "A gente experimentou alguns lugares até chegar à Praça Ribeirão do Carmo, onde tocamos atualmente", explica o zelador Marcelo Viana, de 38 anos, outro fundador da roda.
Para todos os gostos

Crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos. O público do Samba Toca da Onça é bem variado e familiar. "Nossa roda tem muita criança. Os filhos dos músicos, as famílias adoram comparecer e participar. Essa união é, inclusive, um dos nossos objetivos", afirma Marcelo.

Outro objetivo do grupo mencionado pelo zelador e músico é a inserção da cultura popular na periferia, de forma gratuita. "Focamos em melhorias para a nossa comunidade, pagamos tudo no nosso bolso e recebemos a ajuda de líderes comunitários daqui. A população também pode ajudar com um quilo de alimento não perecível, mas não é obrigatório", diz.
Evelson de Freitas/BOL

Onça é o símbolo da quinta roda visitada pelo BOL, no bairro de São Mateus
Os sambistas logo organizam a roda e testam o som dos instrumentos e microfones antes de começar a cantoria. Tem onça por todo o lugar: na toalha da mesa, no pôster pendurado na parede, na camisa dos músicos e, inclusive, uma estátua do animal no centro de tudo.

Segundo Naldo Candiá, o púbico pede e eles tocam. Dessa forma, os integrantes conseguem fazer uma mistura com os sambas que marcaram os anos 1970, 1980 e 1990. "Clara Nunes, Martinho da Vila, até Arte Popular entra no nosso repertório", brinca.

Para o músico, mais do que ajudar a comunidade em que vivem, os encontros quinzenais são um momento em que os integrantes e participantes entram em verdadeira comunhão, divertem-se e deixam os problemas de lado. Para os membros menos experientes, ainda é um espaço de aprendizado e disciplina. "Eu venho aqui, cada dia, com uma missão. A de ensinar. Ensinar é o meu caminho", declara.

Samba Toca da Onça

Endereço: Praça Ribeirão do Carmo, no Jardim Vera Cruz, em São Paulo (mas pode migrar para a casa de algum aniversariante do grupo)
Dia e horário: Aos sábados, de 15 em 15 dias, às 18h
Telefone: (11) 95443-6745
Entrada: gratuita


Leia mais em: http://zip.net/bbtmDB      

3 comentários:

  1. um lugar de se fazer amigos e reunir pessoas um samba que tem como publico os moradores do bairro jardim vera cruz

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  2. Parabéns a rapaziada. O Samba sempre presente.

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  3. TOCA DA ONÇA O PRIMEIRO BAR DO J.V.CRUZ NOS ANOS 80 A PROMOVER UMA RODA DE SAMBA COM BANJO,REPIQUE DE MÃO ,TAN-TAN E PANDEIRO ANTES ERA FEITO COM INSTRUMENTOS DE CARNAVAL COM O GRUPO JAPOSCÃO POREM UM SAMBA FEITO COM FORMATO SAMBA DE MESA FOI A COM A TOCA DA ONÇA TODO MUNDO NO VERA CRUZ QUE É DO SAMBA SABE

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